|
Quando você é inteligente, sempre consegue encontrar uma justificativa elegante para não se expor. A cabeça não para de criar narrativas mirabolantes que mais parecem roteiros de novela manoelesca (saudoso Manoel Carlos), com uma Helena no balanço do intervalo sem fazer a bendita escolha. Quero sair do clichê “haja terapia!”, embora seja indispensável em tempos pós-pandêmicos. Vou apostar na escrita como condutora do que o coração não aguenta mais guardar. O inícioA certeza de que qualquer pessoa do globo terrestre com acesso à internet pode ler meus textos é assustadora, porque eu gosto de ter controle sobre tudo (ledo engano, tadinha). Porém, não teve jeito; sucumbi à produção de conteúdo por falta de opção. Mulher desempregada, 40+, recém-separada, filho muito pequeno. Conhecimento, eu tinha; pensamentos intrusivos, também. Mas bastava olhar pro meu filho para a “adulteza” dar um tapa na minha cara. Logo após a demissão, em 2018, ouvi de um grande amigo: “vá pro LinkedIn. aquilo é a sua cara!” Eu, desconfiada, resolvi testar. Primeiro, observei o comportamento dos usuários da plataforma. Detectei uma dor específica: medo de escrever. Pronto, assunto definido. Saí da gangorra do intervalo para o lado direito e comecei a publicar, bem na linha do “postei e saí correndo”. O desenvolvimentoMeu lado racional dizia “que bobagem ter medo de julgamento, ninguém se importa”, mas as crenças armazenadas em cada gaveta do inconsciente não dão trégua: Papai ou mamãe que não apoiavam a escrita. A crítica pesada de uma professora, com aquela caneta vermelha rabiscando de cabo a rabo a redação escolar. Uma colega, rainha do deboche, dava gargalhadas apontando o dedo indicador entre os dois olhos. São muitas passagens ao longo dos anos que, para sobreviver, eu, você e todo mundo joga embaixo do tapete para não enlouquecer. Peguei gosto pela criação de conteúdo digital. Os elogios começaram a chegar, assim como a identificação com os textos. Fiquei confortável com esse movimento, mas depois percebi ser uma grande cilada. O clique“Ok, Dalva, você escreve bem, mas qual seu objetivo com isso?” Do nada, esse pensamento me atravessou. Não tive pra onde correr; parei e refleti. Você se lembra dos meus olhares para o meu filho? Pois bem, eu precisava monetizar o conhecimento. Elogios e likes não pagam boletos. Eu não poderia continuar escrevendo como se fosse herdeira. A ideia genial veio a partir de uma entrevista que assisti no YouTube (obrigada, Karnal!). Entrei no intervalo entre saber e me expor novamente com breve duração. Direcionei a pauta. Escrevi os primeiros sete posts, postaria um por dia. Coloquei tudo no bloco de notas do celular e viajei com a família. A repercussão do primeiro post confirmou que só dá para saber o resultado depois do feito. Eu, senhora do controle, entrei num embate comigo mesma e soltei. Foi a melhor decisão. Poderia ter dado em nada? Claro. Mas não seria isso a vida acontecendo? A volta para o início (como se isso fosse possível...)Ocupei espaços inimagináveis na mentalidade celetista de outrora. Há quase 2 anos, eu vinha negando a perda do brilho no olhar. A mulher inteligente que vos fala catou todas as justificativas elegantes para não recalcular a rota. Como se essa decisão fosse afetar mais alguém além de mim mesma. Parei de negar a evolução do meu negócio. Tudo o que faço tem viés terapêutico, seja treinamento corporativo ou mentoria de escrita. Cansei de ficar no impasse. Esta newsletter é o compromisso de sustentar minha voz para destravar a sua escrita. Você sabe o suficiente, no entanto ainda não se autoriza a aparecer. Você pensa “não quero fazer algo superficial” ou “ainda não estou pronta”. Então pergunto a você: quão sofisticada é sua autossabotagem? Antes de responder, descubra em que ponto do intervalo entre o que sabe e o que faz você está. Um abraço aconchegante. Se você sente que não quer apenas pensar sobre isso, mas escrever… a Oficina Redação pelo Coração (está na 6a edição!) é um encontro ao vivo e on-line, na qual eu conduzo mulheres em uma experiência de escrita guiada para acessar emoções, organizar pensamentos e dar voz ao que precisa ser dito. Será no dia 09/05/2026. Segue o convite 👇🏽
Veja o que faço da vida🤩 |
Escrevo sobre o intervalo entre o que sabemos e o que fazemos. Reflexões para pessoas inteligentes que sabem muito, mas travam na execução, especialmente, quando o medo de julgamento fala mais alto que a própria voz.
Olá, Reader! Um grande amigo meu tem uma vasta experiência sexual com pessoas (no sentido bem geral, mesmo). Nos últimos tempos, ele tem se dedicado a relações com mulheres, pois elas são o foco de estudo dele na faculdade de Psicologia quase concluída. Dos trocentos áudios que o D manda pra mim no zap-zap, teve um que me tocou profundamente: quando chega o momento da primeira transa, ele pergunta à mulher “qual o seu ponto G? onde você gosta de ser tocada?” E para surpresa de um total de...
Olá, Reader! Começo esta escrita com lágrimas interrompidas para prestar atenção na digitação; vai que eu erro alguma grafia ou troco alguma palavra inadequada?! Eu entendo quem não sustenta ou não mostra quem realmente é. Primeiro, por não sermos uma conta exata, como a raiz quadrada de 4. Segundo, porque é foda lidar com quem não suporta a ideia de não ser como nós, pelo menos, não nesta vida. Autenticidade alheia gera raiva, e até ódio, em algumas pessoas. Elas queriam ter a audácia, a...
Olá, Reader! “quem não te alcança, você não carrega” “quem não está à sua altura, não te acessa mais” “se não dá exatamente o que você quer, bloqueia logo” disse a pessoa que fuma 3 maços de cigarro por dia, porque se sente melhor preenchida pelo efeito da nicotina do que construindo relações com outros seres humanos tão faltantes quanto ela. Ela sabe que cigarro faz mal à saúde. Ela também sabe que a lógica “se é assim, não faço assado”, esse formato binário supostamente ideal de viver, não...