⏳Onde você gosta de ser tocada?


Olá, Reader!

Um grande amigo meu tem uma vasta experiência sexual com pessoas (no sentido bem geral, mesmo). Nos últimos tempos, ele tem se dedicado a relações com mulheres, pois elas são o foco de estudo dele na faculdade de Psicologia quase concluída.

Dos trocentos áudios que o D manda pra mim no zap-zap, teve um que me tocou profundamente: quando chega o momento da primeira transa, ele pergunta à mulher “qual o seu ponto G? onde você gosta de ser tocada?

E para surpresa de um total de zero pessoa, ele escuta como resposta: não sei dizer.

Meu primeiro pensamento foi: “algum homem já me fez essa pergunta?!?!

O segundo: “por acaso, eu sei em quais partes do meu corpo sinto mais prazer?!

O terceiro: “eu deveria devolver a pergunta para o parceiro?!

[Olha, não sei você, mas do lado de cá rolou um carrossel de emoções. Se quiser interromper a leitura neste momento, tudo bem.]

Quero usar esse causo nesta conversa levando em conta relações entre pessoas (cis ou não). O quanto delegamos ao acaso ou à boa sorte encontrarmos alguém que chegue com a nossa gramática corporal na decorada na ponta da língua.

E caso não descubra os meus pontos gês, será logo classificada como “ruim de cama”. Nada de sentir borboletas na região pélvica? Tô fora então. A tão almejada “química” não rolou porque o universo não quis.

Nossa, passaram tantas coisas pela minha cabeça! Se eu recebo uma pergunta dessas, assim, na lata, perderia o tesão na hora ou me apaixonaria perdidamente pela pessoa?!

[não consigo evitar a enxurrada de pontos de interrogação nesta escrita; por favor, me perdoe; ou… mergulhe comigo no mar de dentro.]

― Me conta… onde você gosta de ser tocada?

― Ah… não sei… nunca me perguntaram isso antes.

― Não tem problema. O que acha de descobrirmos juntos?

E olhando bem dentro dos seus olhos, a pessoa diz:

― Ou eu posso só observar você se tocar, se assim preferir.

[pausa para respirar fundo e regular o sistema nervoso.]

A régua da intimidade subiu muito.

Estamos preparadas para suportar a angústia de sermos vistas, cuidadas, quiçá, amadas?!

Aquele mete-e-goza comum seguido da dopamina barata que só o celular tem sido capaz de dar pode fazer acordo sobre o tempo a ser dedicado em um encontro como os que o D oferece?

Percorrer o mapa do prazer leva tempo; a dois ou sozinha.

[está curtindo a pauta de autoconhecimento deste texto?]

Gosto da ideia de aprender juntos, mas a liberdade de se descobrir sozinha é arrebatadora.

Conheço o meu abecedário de cor e salteado e adoraria aprender o seu!

Não é nada óbvio; vamos perguntar mais, dar palco para a curiosidade.

Em vez de responder com palavras, pegue a minha mão e me mostre o caminho…


Eu pensei que esta escrita tomaria outro rumo. Acabei visualizando uma cena hipotética que gostaria de realizar.

Quem sabe, um dia, vestida com um roupão off-white, felpudo, desamarrado na cintura, deitada numa cama king-size com lençóis de 53 mil fios, ela aconteça e eu jamais me esqueça de onde gosto de ser tocada.


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Dalva Corrêa

Escrevo sobre o intervalo entre o que sabemos e o que fazemos. Reflexões para pessoas inteligentes que sabem muito, mas travam na execução, especialmente, quando o medo de julgamento fala mais alto que a própria voz.

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