⏳Preste atenção em como você se sente


Olá, Reader!

“Mesmo que esteja tudo uma grande merda, sorria… abra um sorriso bem largo para fazer seu cérebro acreditar que está tudo bem.”

Técnicas de bem-estar existem aos montes, disponíveis em conteúdos gratuitos em todas as redes sociais. Então por que vejo tanta gente dodói da cabeça? Não é só seguir o passo a passo dos vídeos e me sentir bem?


Fujo do mindfulness. Não quero encarar os cinco minutos (tempo mínimo) para respirar profundamente e ficar em silêncio com os pés descalços apoiados no chão gelado.

“Mas por que não, Dalva?”

Ah, cara, continuar reclamando dos problemas é uma baita zona de conforto (putz, me deu muita vontade de colocar a culpa no signo ― sou taurina raiz, que ama conforto ―, mas forçaria muito a barra).

Certa vez, minha antiga analista me disse “que prazer é esse que você sente na dor?”. Ela foi tão certeira que eu não dei conta de responder. Sim, admito para você: sinto um prazer na dor. Deveria entrar no mundo do BDSM?!

Vou usar uma metáfora com âncora. Nada de mudança. Uma pseudo estabilidade. Falsa sensação de segurança. Ter consciência de tudo isso é uma evolução no autoconhecimento, porém não corresponde à quebra de paradigma ― ainda.

Saber que meditação, exercícios físicos, estar em contato com a natureza, os bichos e com as pessoas que amo, rir até doer a barriga fazem bem pro corpo e pra alma não me coloca exatamente em ação.

Acontece isso com você também?

Tenho procurado não me culpar muito. Sou humana, logo incongruente. Meus dedos coçam para complementar com “e está tudo bem”, mas chega disso. Chega de mentir para mim mesma.

Quero tocar num assunto tabu até o último grau em nossa cultura: dinheiro. Como não pensar, dia e noite, na falta que ele faz?

Só diz que nem tudo é sobre dinheiro quem… tem dinheiro. Me refiro às pessoas que não precisam se preocupar com os boletos mensais, pois há dinheiro de sobra para pagá-los. Dinheiro, para elas, não é uma questão de luta pela sobrevivência.

Com dinheiro abundante em minha conta bancária, farei mindfulness sentada na varanda de uma casa maravilhosa na região serrana. O chão gelado seria a glória do exercício, não uma questão.

Na última terça, eu prestei bastante atenção em como estava me sentindo. Almocei em um dos meus restaurantes favoritos, escolhendo no cardápio o que queria comer, não o prato mais barato. Me senti poderosa, plena, feliz. Tive dor no maxilar de tanto sorrir.

Com dinheiro no bolso, posso sofrer por amor nas Maldivas. Pegar um voo pra jantar na Itália. Eu sei que estou sendo superficial agora… me deixar sonhar um pouco (risos). As perebas psíquicas são muito mais profundas, estou ligada.

Vamos combinar que, num mundo capitalista, não dá pra negar a satisfação de ir e vir tendo vastos recursos financeiros.

Pensando bem, voltarei a praticar mindfulness. Regulando o sistema nervoso poderei pensar em formas de atrair riqueza e voar. Esse intervalo é o que mais me trava, pois tenho certeza de que pessoas do meu convívio ficarão para trás. Agora é papo de apego, vou parar por aqui.


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E se existe algo que você continua evitando encarar, talvez seja hora de nomear.


A parte mais gostosa do meu trabalho é falar abertamente como ser humano, reconhecendo incongruências e suscitando reflexões que se tornam processos internos.

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Dalva Corrêa

Escrevo sobre o intervalo entre o que sabemos e o que fazemos. Reflexões para pessoas inteligentes que sabem muito, mas travam na execução, especialmente, quando o medo de julgamento fala mais alto que a própria voz.

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