⏳Não saber o que escrever tira você da inércia


Olá, Reader

Vou descobrir para que servirá este texto à medida em que o escrevo. Tenho apenas uma vaga ideia do assunto, o qual represento em uma palavra:

Decisão.

Você consegue se lembrar do seu primeiro endereço de e-mail? Eu me achando uma gênia, peguei meu nome completo e o reduzi a “dcida.c”: d (Dalva); cida (Aparecida); e c (Corrêa).

Decida-se.

[fiquei alguns minutos olhando para o teto antes de voltar a escrever]

O imperativo do verbo me pega tanto hoje em meio a trocentas questões inerentes ao meu ser. A bagagem de vida precisa de um carrinho para ser transportada, pois, nas costas, não estou dando conta de levar.

A Dalva de 25 anos atrás era muito destemida. Um verdadeiro poço de decisões. Como era fácil dizer “vou fazer” e, de fato, executar, sustentar a ação e suas consequências.

Arrumei o primeiro emprego aos 18 anos. O mundo se abriu para mim. Comecei a conviver com pessoas adultas fora de casa. Eu não tinha repertório para conversar; não tinha vivências ainda.

Decidi transar. Eu, com 21 anos, era a única virgem do rolê. Fui à ginecologista, contei a minha decisão, ela me perguntou “tem certeza?”, já que eu não estava em nenhum relacionamento, e eu respondi que sim. Escolhi o meu melhor amigo para a missão. Depois de uma aula de natação no Sesc Tijuca, fui até o orelhão, liguei pra ele e o convoquei: passei a data, endereço do motel que eu reservei. Não tenho lembrança clara do ato, mas a decisão foi cumprida.

Decidi pedir demissão do emprego, no qual estava como gerente, pois queria ter tempo para fazer faculdade. Quem já trabalhou em comércio sabe como é difícil conciliar com estudos por conta da carga horária insana. Num belo dia ensolarado em Copacabana, chamei meu supervisor para tomar um café. Sem titubear, eu disse “eu quero que você me mande embora”. Ele travou por alguns segundos, depois disse “deixa eu ver se entendi direito: você quer sair da empresa, mas eu é que devo te demitir?!”. Com uma serenidade no olhar, respondi “sim”.

Sei lá, eu tinha um rei no umbigo, sabe. Achava que o mundo girava em torno de mim. Não queria pedir demissão e perder os direitos rescisórios, afinal foram 6 anos. Ele atendeu o meu pedido. Não faço ideia da justificativa que ele deu para conseguir isso, só sei que deu certo.

[agora parei um pouco de escrever porque senti um leve arrependimento dessa decisão]

Decidi me casar. Na verdade, aceitei um pedido de casamento. Dois meses depois, o noivo terminou comigo. Deu errado porque não fui eu que tomei a iniciativa? Nunca saberei a resposta. Eu estava vivendo um sonho, e a outra pessoa deu fim nele. Livramento ou não, inconscientemente lido com isso até hoje.

[momento de pausa para definir a última decisão que vou compartilhar com você nesta edição]

Após ter sido demitida de um emprego do qual imaginava sair apenas para me aposentar, decidi usar o nome Batida Perfeita como marca e parei de enviar currículos. Minha coach disse “Dalva, você pode fazer as duas coisas”, e eu respondi “não quero”.

Existe uma diferença nessa decisão: eu não decidi empreender; mas, sim, fazer da Batida Perfeita o tum-tum da escrita no coração e no posicionamento das pessoas.


Ter imaginado você sentada à minha frente me passou segurança para escrever. Eu te conheço há tempos. Nossa conexão é legítima. Sei que você não vai me julgar por misturar 1a e 2a pessoas do singular no mesmo parágrafo/texto.

Fiquei feliz com o Intervalo entre o não saber o que escrever e a confissão sem reservas. Você também?


Se você também percebe que sabe exatamente o que precisa fazer, mas ainda não sustenta a decisão, eu posso te acompanhar enquanto você atravessa esse intervalo.

Fale comigo respondendo este e-mail. Estarei do outro lado te esperando.


Veja o que faço da vida🤩

Dalva Corrêa

Escrevo sobre o intervalo entre o que sabemos e o que fazemos. Reflexões para pessoas inteligentes que sabem muito, mas travam na execução, especialmente, quando o medo de julgamento fala mais alto que a própria voz.

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