|
Olá, Reader! “Dalva, por que você levou tanto tempo para criar essa newsletter?!” Pergunta feita pela Aninha, minha cliente de mentoria que está comigo há bastante tempo. Minha resposta performática foi: eu queria me despir de todas as amarras para escrever sobre e como eu bem entendesse sem me preocupar com julgamentos alheios. Sendo euzíssima no âmago do meu ser (como uma hipérbole mascara as coisas rsrs). A resposta genuína seria: por medo de ser rasa. Pedir para você fazer a assinatura de uma correspondência de uma escrita sem profundidade me doía a alma. Eu queria estar pronta. Daí veio o chá revelação ― pronta, minha querida, você nunca estará. Resolvi sucumbir à humanidade e a tudo que ela envolve: erros, acertos, vulnerabilidade, rasismo (de raso, mesmo), criança interior no palco, experiências nem tão únicas, habilidades sutis e escancaradas, ser fonte de inspiração e ― por que não? ― do que não fazer. [pausa para falar sobre a tamanha liberdade que estou senti ao escrever o parágrafo anterior.] No meu diálogo interno, me veio a questão: “você não quer ser rasa para quem?” Ora, se somos todos diferentes, com conhecimentos e níveis de consciência distintos, para quem eu não quero ser rasa? Cara, isso é muito relativo. Não tenho controle algum sobre isso. É jogar pro mundo e ver no que vai dar. Tem um ponto interessante aqui: enquanto o projeto está só no campo das ideias, ele é perfeito. A dor vem de o mundo te conhecer (não leia “mundo” no sentido literal). E o mundo te conhecendo, ele pode e vai te julgar. E você não quer ser julgada. Você quer ser um poço de candura, imaculada, alecrim-dourado. [usei o pronome “você” ao invés de “eu” para dividir o peso.] É lindo o potente o mantra “ligue o foda-se e seja feliz”, mas na prática, só g-zuis na causa! Dar conta da orquestra dos sabotadores no seu ouvido 24 horas por dia é tarefa hercúlea, cansativa demais. Sei que você não aguenta mais ouvir que são tantas camadas nessa ladainha toda e que só terapia resolve, porém não consigo te dizer outra coisa agora. [dei uma travada na escrita neste momento, porque não quero fazer ode à terapia, cada um sabe de si; ao mesmo tempo, queria te falar para escolher a linha terapêutica que mais combina com você e investir nisso, sim.] Continue comigo no raciocínio: se eu tenho muito medo de julgamento e de críticas, isso pode ser indício de que eu seja uma pessoa que julga e critica muito os outros. Logo, não quero receber de volta aquilo que eu mesma faço. Por favor, leia novamente. A reação imediata pode ter sido “claro que não!”. Passados os primeiros segundos, peço a você que reflita um pouco. Eu fiz esse exercício; o espelho me respondeu à altura. Liberdade é escrever este texto com minha luz e sombra, sendo absurdamente humana ― e, ainda assim, magnética. Chegou a me dar tesão. Um sorriso sensual se apossou dos meus lábios. Assim me despeço de você hoje. Alguns intervalos já foram nomeados por aqui. Você pode ler as edições anteriores clicando neste botão:
Quero saber o que você está achando d’O Intervalo. Se algum texto te atravessou, me conte.
A parte mais gostosa do meu trabalho é falar abertamente como ser humano, reconhecendo incongruências e suscitando reflexões que se tornam processos internos. Se esta newsletter tem te ajudado a pensar, mas você sente que precisa de acompanhamento individual para transformar reflexão em movimento, tenho dois formatos de Mentoria: Completa (8 sessões) → escrita autoral, desbloqueios e projetos pessoais/profissionais Express (4 sessões) → posicionamento e clareza no LinkedIn Se quiser entender qual faz mais sentido para seu momento, preencha este formulário:
Veja o que faço da vida🤩 |
Escrevo sobre o intervalo entre o que sabemos e o que fazemos. Reflexões para pessoas inteligentes que sabem muito, mas travam na execução, especialmente, quando o medo de julgamento fala mais alto que a própria voz.
Olá, Reader! Meu preparo para começar a escrever: acendi um incenso massala de sândalo; coloquei pra tocar no YouTube uma frequência de cura emocional profunda (432 hz, seja lá o que isso significa); estou sentada de frente para a janela, abri a persiana para ver o céu azulzíssimo com um total de zero nuvem. [acabei saindo desta tela pra responder algumas mensagens, voltei agora e pensei “não deveria ter feito isso”] Agora sou aluna da pós-graduação em Psicanálise da PUC-RS. Dito assim,...
Olá, Reader! Quem está vivo sempre aparece? Não sei. Falarei por mim, apenas. Estou de volta ― até que a impermanência da vida me afaste daqui de novo. Quero, mas não quero escrever. Daí me lembro o quanto a escrita organiza os pensamentos. A escrita torna visível o que penso. E meu pensamento neste momento é como consigo de forma muito consciente me sabotar. Sei exatamente o que faço quando não faço. Isso é uma loucura, porque quem gosta de si age na direção dos objetivos (não gosto de mim,...
Olá, Reader! Comecei a dar mentoria de escrita autêntica para o time de conteúdo de uma grande editora. Me lembro do quanto eu já a admirava nos tempos em que trabalhava numa concorrente dela. Isso faz muitos anos. E, hoje, me sinto realizada por orientar um grupo de sete pessoas em algo que, talvez, pareça óbvio: escrever como realmente quiser. Não consigo iniciar um trabalho como esse sem mergulhar no mar de dentro. Cada pessoa se entrega de acordo com o que consegue sustentar no momento,...