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Olá, Reader! Quem me conhece sabe que sou “rata” de comentários em posts nas redes sociais. Por ter muito interesse em comportamento humano, acredito que os comentários revelam peculiaridades interessantes para o meu “estudo de campo”. Há algumas semanas, comecei a acessar com frequência o Threads (twitter do Instagram). É um grande CAPS on-line e, nossa, como me chama a atenção a forma de expressão que as pessoas fazem ali. Elas compartilham tanto questões realmente profundas e íntimas quanto pensamentos rasos e bizarramente humanos. É o meu laboratório do momento! Ontem, antes do jogo do Brasil, eu estava rolando a tela da plataforma e me deparei com um post de relacionamento assumido (são muitos posts desse tipo). Foto do casal; foto das mãos com as alianças; texto com uma linguagem formal: Boa tarde (...), é uma honra e satisfação enorme informar que a partir do dia 23/06/2026, estou em um relacionamento sério com Josefa Andrade, uma pessoa linda e maravilhosa que Deus me apresentou e está dando sua bênção (...) Pensei “esse documento foi registrado em cartório?!” Quanta formalidade e prestação de conta para desconhecidos! Depois li o primeiro comentário: “Josefa, seu namorado, um homem gentil, passa o dia inteiro elogiando mulheres na internet. Um querido mesmo.” O “condomínio” (apelido que os usuários deram ao Threads) foi à loucura! Entraram no perfil do sr. Roberto, fizeram prints da aba “respostas” dele, acharam o perfil da Josefa em outra rede, enviaram tudo pra ela. Todos reunidos no objetivo de “livrar” a Josefa daquele cidadão. Imagino a Josefa, seguindo sua vida na santa paz de Deus, e recebendo uma enxurrada de mensagens de pessoas desconhecidas denunciando a traição de seu digníssimo. As redes sociais dão a falsa sensação de que somos todos íntimos, de que nos conhecemos há tempos e que podemos nos meter na vida dos outros abertamente. Quem disse que a J não sabia das investidas do sr. R? Quem disse que ela, de fato, se importa com isso? Quem disse que J não está nessa relação por interesse? Quem sabe qual é o formato de relacionamento desse casal? Ninguém sabe de nada, mas, mesmo assim, se acham no direito de se meter. Josefa, os prints das mensagens que ele manda pras outras estão aqui. Agora cabe a você decidir o que fazer com essa informação. Depois de ler o comentário acima, parei com o laboratório do dia. Um detalhe que me chamou muito a atenção foi o fato de ele ser um homem mais velho e, logo, mais atacado: “esse véio safado vai ter o que merece.” [e se fosse um homem jovem bonito, gostoso e “sarado”?] ___________________________________________ Peço licença a você para contar outro causo de relacionamento divulgado nas redes semana passada. Uma foto em um restaurante mostrando a reconciliação de um casal com direito a alianças de noivado. A mulher sendo assumida e amada “aos berros”, como dizem. No texto, os fatos: o noivo foi ao banheiro masculino do estabelecimento e transou com uma mulher que fazia parte do grupo reunido à mesa. Vários homens filmaram (você não leu errado) o ato e, obviamente, os vídeos vazaram na internet. Pensa no inferno em que se tornou a vida da recém-noiva. Celular nas mãos seria uma arma branca? Em segundos, uma vida se transforma num caos por conta do poder das redes sociais. Uma exposição de intimidade, que não foi autorizada. Rostos circulando em trocentas telas. Prints e compartilhamentos ilimitados. Não há controle, apenas sensação de impotência. Contei duas situações de supostas infidelidades, as quais acredito que competem somente às partes envolvidas. Denúncias de crimes, sim, devem ter outra dimensão de divulgação e sei que as redes ajudam nesses casos. Enquanto eu ainda quiser me relacionar com homens, não quero ser assumida publicamente. Que tenhamos acordos bem claros entre nós, como pessoas adultas e não hipócritas, sem dar informações para pessoas desconhecidas se meterem em nossas vidas. [pensando aqui: seria esta newsletter um ambiente controlado, ou estou me enganando?!] Nesta edição escrevi sobre O Intervalo entre privacidade e exposição. Qual o nível de busca por validação? O que tanto se quer provar para o Outro? Se você tiver as respostas, compartilhe comigo. Alguns intervalos já foram nomeados por aqui. Você pode ler as edições anteriores clicando neste botão:
Quero saber o que você está achando d’O Intervalo. Se algum texto te atravessou, me conte.
A parte mais gostosa do meu trabalho é falar abertamente como ser humano, reconhecendo incongruências e suscitando reflexões que se tornam processos internos. Se esta newsletter tem te ajudado a pensar, mas você sente que precisa de acompanhamento individual para transformar reflexão em movimento, tenho dois formatos de Mentoria: Completa (8 sessões) → escrita autoral, desbloqueios e projetos pessoais/profissionais Express (4 sessões) → posicionamento e clareza no LinkedIn Se quiser entender qual faz mais sentido para seu momento, preencha este formulário:
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Escrevo sobre o intervalo entre o que sabemos e o que fazemos. Reflexões para pessoas inteligentes que sabem muito, mas travam na execução, especialmente, quando o medo de julgamento fala mais alto que a própria voz.
Olá, Reader! Meu preparo para começar a escrever: acendi um incenso massala de sândalo; coloquei pra tocar no YouTube uma frequência de cura emocional profunda (432 hz, seja lá o que isso significa); estou sentada de frente para a janela, abri a persiana para ver o céu azulzíssimo com um total de zero nuvem. [acabei saindo desta tela pra responder algumas mensagens, voltei agora e pensei “não deveria ter feito isso”] Agora sou aluna da pós-graduação em Psicanálise da PUC-RS. Dito assim,...
Olá, Reader! Quem está vivo sempre aparece? Não sei. Falarei por mim, apenas. Estou de volta ― até que a impermanência da vida me afaste daqui de novo. Quero, mas não quero escrever. Daí me lembro o quanto a escrita organiza os pensamentos. A escrita torna visível o que penso. E meu pensamento neste momento é como consigo de forma muito consciente me sabotar. Sei exatamente o que faço quando não faço. Isso é uma loucura, porque quem gosta de si age na direção dos objetivos (não gosto de mim,...
Olá, Reader! Comecei a dar mentoria de escrita autêntica para o time de conteúdo de uma grande editora. Me lembro do quanto eu já a admirava nos tempos em que trabalhava numa concorrente dela. Isso faz muitos anos. E, hoje, me sinto realizada por orientar um grupo de sete pessoas em algo que, talvez, pareça óbvio: escrever como realmente quiser. Não consigo iniciar um trabalho como esse sem mergulhar no mar de dentro. Cada pessoa se entrega de acordo com o que consegue sustentar no momento,...