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Olá, Reader! Comecei a dar mentoria de escrita autêntica para o time de conteúdo de uma grande editora. Me lembro do quanto eu já a admirava nos tempos em que trabalhava numa concorrente dela. Isso faz muitos anos. E, hoje, me sinto realizada por orientar um grupo de sete pessoas em algo que, talvez, pareça óbvio: escrever como realmente quiser. Não consigo iniciar um trabalho como esse sem mergulhar no mar de dentro. Cada pessoa se entrega de acordo com o que consegue sustentar no momento, mas o mergulho é inevitável. Como falar de autenticidade sem passar por “dentro”? Aprendo muito nessa fase, pois abro minha escuta para captar a essência da pessoa que está à minha frente. Sempre mentorei de forma on-line. Pela primeira vez, estou dando mentoria presencialmente. Pensei que seria mais desafiador do que, de fato, está sendo. Sabe o que tem me chamado a atenção? As pessoas não pegarem no celular durante a sessão. Colocam o foco na minha voz e nos exercícios, que são feitos à mão. A atenção é a principal moeda do século XXI. Imagine só o tamanho da minha responsabilidade toda vez que abro a boca? Bom, até a escrita desta edição, minhas palavras têm feito sentido para o time. [não era bem isso que eu queria escrever quando comecei; voltarei para o ponto previamente pensado antes agora.] Escreva; mesmo que não saiba exatamente o que deseja escrever. Eu disse essa frase na primeira sessão. Algumas pessoas a anotaram, por ter sido o início do destrave delas. Pegue-a para você. Depois me conta como ressoou aí. O que ela (a frase) teria de especial? Ela tira de você a armadura da escrita perfeita. Deixa de lado o "tem que". Deixa a caneta/lápis deslizar no papel. O papel aguenta. Precisa ser um espaço seguro; do contrário, as pessoas não vão escrever livremente. Não é prova escolar. Não é sala de aula. Logo, ninguém “tem que” submeter o que escreveu à minha validação ou a do grupo. Só me interessa saber como a pessoa se sentiu naquele processo de escrita (ou seria catarse?). Testei uma coisa diferente nessa experiência presencial e em grupo: deixei para perguntar “quem é você?” apenas no final do encontro. A primeira pessoa a quem direcionei o olhar respondeu: "Vou pular a pergunta, porque eu não sei quem sou.” Cara, eu achei essa resposta tão mas tão honesta! Ela complementou dizendo que só conseguia escrever de forma objetiva e direta, e somente sobre temas que passavam bem longe de sentimentos. Guardei com carinho essas informações dentro de mim. Os demais participantes responderam como eu considero ideal, sem colocar seus papéis (principalmente profissionais) na descrição. Entenderam o que estava rolando ali. Pegaram nas entrelinhas de onde vem a tal da autenticidade para escrever/falar sobre eles mesmos. Passei um teste para identificar crenças limitantes. Fizeram durante a semana, com calma. Pedi para enviarem os relatórios do resultado por e-mail. Adivinha quem enviou primeiro?! [pausa para pensar] Sei que a vida é uma correria danada. A minha também é. Porém, sem intencionalidade fica difícil fazer comunicação eficaz. No ambiente de trabalho, então, é o caos. Pensar em qual impacto quer causar em quem vai ler seu texto define a efetividade da interação. Na segunda sessão, passei um exercício nesse esquema: primeiro define a intenção, depois escreve. Foi muito desafiador para quem é jornalista e naturalmente pensa primeiro na estrutura. Mas todos fizeram! A maioria escolheu gerar reflexão com o exercício. Eu quis ouvir primeiro a pessoa que me disse, na semana anterior, “não sei escrever sobre sentimentos”. Quando ela terminou de falar, eu estava enlouquecidamente arrebatada pela densidade que ela deu ao tema escolhido. Um tema que a atravessava, que mexia com ela. Conseguiu se expressar com segurança. E teve sentimento, sim! Não dava pra escrever sobre o que optou abordar sem passar pelo lado humano! Eu me emocionei demais. Ela me tirou a palavra. Me lembro de ter dado parabéns pela evolução de uma sessão para outra. Pela entrega dela. Pela confiança no processo desenvolvido naquele espaço. Ao final, peguei o elevador pisando em nuvens. A escrita é uma ferramenta terapêutica poderosíssima, e quero que todo mundo saiba disso e se permita experimentar. A escrita salva. Tirar do peito o que angustia a alma, sabendo que o papel aguenta, é libertador. [qual seria O Intervalo desta edição? Não sei. Não tenho resposta pra tudo.] Se você terminou a leitura querendo trabalhar comigo, vamos conversar. Preencha o formulário e, logo, chamarei você.
Alguns intervalos já foram nomeados por aqui. Você pode ler as edições anteriores clicando neste botão:
Quero saber o que você está achando d’O Intervalo. Se algum texto te atravessou, me conte.
Veja o que faço da vida🤩 |
Escrevo sobre o intervalo entre o que sabemos e o que fazemos. Reflexões para pessoas inteligentes que sabem muito, mas travam na execução, especialmente, quando o medo de julgamento fala mais alto que a própria voz.
Olá, Reader! Meu preparo para começar a escrever: acendi um incenso massala de sândalo; coloquei pra tocar no YouTube uma frequência de cura emocional profunda (432 hz, seja lá o que isso significa); estou sentada de frente para a janela, abri a persiana para ver o céu azulzíssimo com um total de zero nuvem. [acabei saindo desta tela pra responder algumas mensagens, voltei agora e pensei “não deveria ter feito isso”] Agora sou aluna da pós-graduação em Psicanálise da PUC-RS. Dito assim,...
Olá, Reader! Quem está vivo sempre aparece? Não sei. Falarei por mim, apenas. Estou de volta ― até que a impermanência da vida me afaste daqui de novo. Quero, mas não quero escrever. Daí me lembro o quanto a escrita organiza os pensamentos. A escrita torna visível o que penso. E meu pensamento neste momento é como consigo de forma muito consciente me sabotar. Sei exatamente o que faço quando não faço. Isso é uma loucura, porque quem gosta de si age na direção dos objetivos (não gosto de mim,...
Olá, Reader! Quem me conhece sabe que sou “rata” de comentários em posts nas redes sociais. Por ter muito interesse em comportamento humano, acredito que os comentários revelam peculiaridades interessantes para o meu “estudo de campo”. Há algumas semanas, comecei a acessar com frequência o Threads (twitter do Instagram). É um grande CAPS on-line e, nossa, como me chama a atenção a forma de expressão que as pessoas fazem ali. Elas compartilham tanto questões realmente profundas e íntimas...